Não parava de correr, o fôlego estava acabando, mas minhas pernas continuavam a se mexer intensamente. Quando lembrava do que tinha acontecido o ritmo de minha corrida só aumentava, tropecei e cai com uma pressão enorme sob meus joelhos. Levantei-me em seguida sem nem mesmo notar que havia uma mochila em minhas costas.
Passava as mãos no rosto a cada dez metros corridos, não sabia se estava limpando lágrimas ou o meu suor. A escola toda riu de mim, me viram na Internet, espalharam no orkut; no twitter menos de 140 caracteres precedidos de um link resumiam a humilhação que passei. Não podia acreditar que depois de uma segunda feira para uma quarta a vida de alguém pudesse mudar tanto.
Eu já havia me acostumado com os apelidos que me davam, tentava não ligar. Mas quando eles se juntavam para dar alguns tapas na minha cabeça e me chamar de “dumbo”, “orelhudo”, “monstro”, “feio” e muitos outros; perdia a calma, contudo era nesse momento que mais ofensas vinham à tona.
Na segunda, eles pareciam tão inofensivos com a câmera nas mãos, mas quando as perguntas começaram percebi as mesmas risadas que ouvi durante anos de zuação. A câmera apontada para a minha direção me intimidava e as perguntas referentes à minha timidez, a minha relação com as garotas, ou melhor, a minha não relação com elas me deixava mais acanhado. Eu tentei escapar, falei algumas palavras para ver se me deixavam em paz, mas parece que só as risadas aumentaram.
Foi assim, os 12 minutos mais estressantes da minha vida, mas depois de três dias descobri naquele terceiro dia como 8 horas poderiam parecer mais de 30.
Chegando em casa trombei com a prateleira de dvds de casa, peguei rapidamente os filmes que deixei cair, entre eles estavam “Tiros em Columbine” e “Prisioneiro da grade de ferro”, coloquei-os rapidamente de volta no lugar e fui para meu quarto.
Tranquei a porta, deitei na cama para me acalmar, mas não consegui. Tinha que ver o que tinha de tão engraçado naquele vídeo. Fui ao computador, esperei o vídeo carregar, depois de alguns segundos apertei play. Minha feição mudou rapidamente em apenas 5 minutos de vídeo, agora eu percebia o porquê de me chamarem de feio e o porquê também de me chamarem de estranho. Aquele jeito acanhado, sem resposta, confuso, com medo realmente de falar, definia perfeitamente o que era ser estranho, até eu percebia isso.
Coloquei a mão no rosto para tentar conter as lágrimas, mas não conseguia. Enquanto eu apalpava meu rosto percebia o quanto eu era cabeçudo, logo depois passei a mão entre os meus cabelos e encontrei minhas orelhas de “asa delta” como diziam os meus colegas de escola. Depois disso, deitei na cama a espera de um milagre que na minha opinião jamais viria.
Esse post foi baseado em uma entrevista de um garoto ao programa Altas Horas, no ano pasado.Seu nome é Felipe.
ResponderExcluirTentei colocar aqui um pouco da minha visão sobre o que ele contou no programa, e também criar uma história paralela a dele.
http://www.youtube.com/watch?v=4Us_X30qEl4