Crônicas e contos

Blog que analisa a sociedade por meio de crônicas e contos

domingo, 5 de fevereiro de 2012

De estranho para conhecido virtual

Como de costume, estava a conversar com Harley, um rapaz que conheci em uma sala de bate–papo, e já faz algumas semanas que mantemos conversas no MSN e nosso relacionamento só progrediu. Ele é um moço gentil e confiável. No começo de nossas conversas, apenas escrevíamos mensagens um para o outro, mas com o tempo ele me convenceu a me mostrar na web cam. Apenas mostrei partes do corpo, sem filmar o meu rosto, Harley fez o mesmo, mantendo-se anônimo também.
Entretanto hoje é um dia diferente, nós combinamos em mostrarmos nossos rostos um para o outro. Ele é um jovem bonito, pelo que me conta: tem cabelos pretos, rosto com expressão forte, olhos castanhos e tem 1,80 de altura. É apenas três anos mais velho do que eu, e às vezes me dá conselhos sobre o vestibular e as profissões, definindo qual é melhor ou pior, alegando que já passou pelo momento que estou enfrentando, mas que depois do final de ano tudo melhora e que provavelmente virá uma boa notícia no início do ano que vem.
Antes de conhecer o Harley achava que esse negócio de bate papo pela Internet era coisa de desocupado e safado querendo tirar proveito dos outros, principalmente de moças como eu. Mas como minhas amigas diziam, é legal se divertir pela Internet sem compromisso e preocupações.
O Harley também afirma que a Internet é um meio de conhecer pessoas do mundo todo, que com um simples click e pronto você já está conectado a outro alguém que está do outro lado do mundo. Como é o caso entre eu e o Harley, que estuda direito e agora está fazendo intercambio para os Estados Unidos, ele até me convidou para passar alguns dias em sua casa lá nos EUA.
Depois de conversar por um tempo com Harley no computador, ainda mais quando a nossa conversa começava a ficar mais animada, minha mãe me chamou para jantar, tentei convencê-la a me deixar mais tempo em frente ao Pc, mas ela é inflexível. Despeço-me de Harley, prometo que depois do jantar ele terá uma surpresinha e finalmente poderemos nos conhecer.
Chegando à mesa, minha mãe faz a mesma pergunta de sempre:
-Mas o que é que você faz tanto nesse computador?
Rapidamente penso em algo para justificar minha demora, acabo alegando que procurava alguma resposta do papai no e-mail. Quando minha mãe ouve a citação em relação ao papai, começa a fazer os mesmos murmúrios de sempre:
- Seu pai é um bom homem, foi para os Estados Unidos só pra conseguir dar uma vida melhor para a nossa família. Você tem que dar valor ao seu pai, se não fosse o dinheiro que ele manda, você nem teria esse computador que tanto ama.
Era difícil em nossas refeições minha mãe não comentar sobre o papai. Ela sentia muita falta dele, já fazia dois anos e meio que ele foi
para o exterior, e a nossa vida só melhorou depois da ida dele para lá. Mesmo a saudade sendo grande, era necessário todo esse sacrifício para conseguirmos nos mantermos em um país que são poucos os que têm trabalho e dinheiro para se sustentarem.

Depois da refeição e de lavar o meu prato, abandono a cozinha e vou correndo para o computador, sento-me apressada em frente ao Pc, Harley ainda continua online. Começo a conversar novamente com ele até chegarmos na animação que estávamos antes. Nós riamos e ele me contava das suas experiências anteriores com outras mulheres, falou-me das coisas mais malucas que fez com outras garotas, me contou várias histórias picantes. Escrevia textos enormes no MSN e eu nem me importava com o tamanho, devorava-os, lia rapidamente e comentava falando que ele era simplesmente genial e muito engraçado.Foi então que ele me pediu para contar as minhas experiências amorosas, assim falei o que já tinha feito com alguns garotos aqui do bairro, com os meus antigos peguetes, mas que não conhecia do assunto tanto quanto ele e que apenas só fiz o básico. Ele me perguntou se já tinha feito trocas de carícia pela net, fiquei um pouco cabulada, demorei para responder, dei umas respostas meio evasivas. Mas, ele logo me acalmou e falou que seria paciente e que saberia me orientar traquilamente, falou que aquilo seria uma espécie de jogo em que brincaríamos um com o outro e com o nosso corpo; era um jogo de sedução como ele dizia. Foi então que no calor da conversa decidimos fazer o que eu já vinha adiando há um tempo. Assim, peguei a web cam e ele me perguntou se eu estava pronta e eu respondi " estou mais do que nunca". Assim nós ligamos a câmera e ele me falou assustado:

- Filha

E eu respondi

-Pai

Por favor, imprimir


Todos os dias a mesma coisa, o mesmo trabalho, o mesmo processo. Começa às 9h e vai até às 19h, é trabalho intenso. Cada dia que se passa, consome cada vez mais um pouco de mim. Nos finais de semana é quando paro e fico lá apenas de molho, esperando uma segunda-feira intensa.

Muitos querem meu lugar, trabalhar na maior avenida da cidade de São Paulo é para poucos. Bem no meio da Paulista, entre a Consolação e o bairro Paraíso. Fica perto de tudo e de todos. O trabalho é intenso, semana passada dois dos meus colegas desistiram, não aguentaram a pressão. Mas temos que aguentar firme, se não fizermos as cópias direitinho atrapalha a rotina da empresa toda, as publicações não saem e depois ficam reclamando do nosso serviço.

Eu sei que é duro, mas eu lembro até hoje do meu primeiro dia de trabalho. Todos estavam tensos e não sabíamos o que fazer, alguns deram problemas logo no começo do dia. Depois, fomos nos acostumando com a rotina diária e o tempo vai passando e começam a cobrar cada vez mais da gente. Até que chegamos aqui, em que já me acostumei com o trabalho, e parece-me que já cheguei ao ápice de produtividade.

Outro dia um amigo meu foi mandado embora. Era um cara legal, gente boa, fazia tudo direitinho. Mas, uma doença o pegou forte, as tintas que trabalhamos são muito tóxicas e às vezes podem fazer mal. Um dia ele começou a engasgar e a tossir forte, não conseguia fazer o trabalho direito. Deram três chances para ele, depois da terceira chamaram um técnico que o acompanhou até a saída e nunca mais o vi. Não sei o paradeiro dele e nem nada.

Então como eu ia dizendo, a rotina da empr....

Cof, Cof, Cof